BENFICA QUER PRESERVAR SEGUNDO LUGAR NA TAÇA AFC

Manter a vice-liderança é o grande objectivo do Benfica de Macau para a derradeira jornada do Grupo I da Taça da Confederação Asiática, onde a equipa de Bernardo Tavares tem sido uma das principais revelações. Mas já no domingo, os actuais campeões de Macau, regressam à Liga de Elite, para um jogo de marcar muitos golos.

 

Vítor Rebelo*

 

Foi em ambiente de muitos sorrisos que ontem à tarde a comitiva do Benfica regressou a casa, depois de, no dia anterior, ter batido o Hang Yuen por 4-1, na quarta jornada do Grupo I da Taça AFC, mantendo o segundo lugar, atrás do já qualificado 4.25 SC da Coreia do Norte e à frente (três pontos) da outra formação norte-coreana, o Hwaepul, com quem as “águias” da RAEM vão jogar no fecho da campanha asiática.

Uma campanha que, diga-se em abono da verdade, tem sido um sucesso, algo inesperado, uma vez que os pupilos de Bernardo Tavares já averbaram três vitórias em cinco partidas, perdendo apenas por duas vezes para o 4.25 (25 de Abril), que de facto está num patamar bastante superior aos restantes adversários do grupo.

E face a estes resultados é pena que o sistema da Taça AFC, no que diz respeito a zonas geográficas como esta em que Macau está incluído (Ásia Oriental), apenas permita que o primeiro classificado do grupo siga em frente para a fase seguinte da competição.

O jogo de Taipé era à partida complicado, uma vez que o Benfica tinha, na primeira volta, operado uma reviravolta inesperada no Estádio de Macau, ganhando por 3-2 depois de estar em desvantagem (2-0) ao intervalo. O Hang Yuen surgia agora mais rodado no campeonato de Taiwan e esperava-se outra oposição, que só não aconteceu porque o Benfica fez um excelente jogo, criando até mais oportunidades do que o seu adversário, num desafio em que os taiwaneses apostavam tudo para conseguir os primeiros pontos.

À partida para a Ilha Formosa, o treinador Bernardo Tavares estava algo apreensivo, até porque a sua equipa voltava a não se apresentar na máxima força, em especial no sector defensivo, sempre muito importante em especial quando se joga fora do seu ambiente.

No regresso a casa, o técnico português reforçou a ideia das dificuldades, mesmo depois dos seus pupilos terem conseguido uma vitória dilatada. “Apesar desse resultado, foi um jogo sofrido, uma vez que o Hang Yuen melhorou fisicamente em relação ao jogo de Macau, esteve mais organizado e teve mais tempo de descanso do que nós, isto para já não falar nas condições que eles têm para treinar e de utilizarem um campo sintético”, começou por referir ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU Bernardo Tavares, com o som dos adeptos benfiquistas em fundo, que acompanharam a equipa até Taiwan, num total de sete elementos.

“Os adeptos, aqueles que costumam apoiar-nos nos jogos, foram incansáveis em Taipé, estiveram sempre connosco e deram-nos uma enorme força. O grupo de trabalho agradece desde já o apoio da claque”, sublinha o treinador, para quem, “a equipa esteve muito bem face ao sistema táctico que teve de ser alterado, face às ausências, umas por lesão, outras por alguns jogadores não terem podido fazer a viagem”.

Para além dessas contrariedades, um dos elementos do grupo, Lee Keng Pan, teve de regressar mais cedo a Macau, mesmo antes do jogo, em virtude de uma problema familiar, pelo que Bernardo Tavares também refere que “a vitória é também dedicada a ele, todos esperando as melhoras do seu pai.”

Relativamente ao desafio propriamente dito, o Benfica apresentou-se “remendado” na defesa, onde não esteve o central Gil Nguema, castigado (viu dois amarelos e por consequência ficou um jogo de fora), ao mesmo tempo que Filipe Duarte e Vitor Almeida não recuperaram das suas lesões.

 

Estratégia arrojada

Assim, Bernardo Tavares teve de “inventar”, com grandes riscos, mas que acabaram por resultar. David Tetteh foi central, ao lado de Lei Chi Kin e Amâncio Goitia, que formaram um trio defensivo de ajuda mútua, com apoio dos homens que povoaram o meio-campo (Chan Man, Cuco, Hugo Silva e Edgar Teixeira), deixando o ataque para Pang Chi Hang, Leonel Fernandes e Nicholas Torrão, numa estratégia que resultou em pleno.

“A vitória é deles. A equipa soube interpretar o plano e adaptou-se muito bem ao sintético. Soubemos controlar quando tivemos bola e acima de tudo defendemos muito bem, quase a roçar a perfeição. Neste sistema táctico tivemos mais oportunidades do que o adversário e até poderíamos ter construído um resultado mais dilatado”, diz Bernardo Tavares.

O treinador realça as condições completamente diferentes que o Benfica tem em Macau, comparativamente com as outras equipas da Taça AFC, para considerar que “é óptimo ter três vitórias na primeira vez que a equipa está numa fase de grupos da prova.”

Também Nicholas Torrão afirma que “o Benfica esteve muito bem tacticamente, controlando o desafio do princípio ao fim.

O avançado apontou dois golos e foi um dos que mais se destacou, criando, juntamente com Leonel Fernandes, grandes desequilíbrios na defesa do Hang Yuen, com o apoio dos homens do “miolo”, um dos quais, Edgar Teixeira, pôde fazer o gosto ao pé, num remate, de pronto, em arco, à entrada da grande área.

“Foi um jogo sem erros, marcámos cedo, o que deu mais confiança à equipa. O adversário teve mais posse de bola, mas era só no meio campo, porque fomos nós que controlámos sempre o jogo”, sublinha Niki, que dá igualmente uma palavra aos adeptos que viajaram de Macau: “Estiveram sempre a  apoiar-nos, muito barulhentos, quase que se ouviam mais do que os da casa. Agora queremos ganhar no último jogo para agradecer a eles e ao público de Macau, pelo apoio que temos tido nesta campanha.”

 

Águias defrontam Lai Chi no regresso à Liga de Elite

E enquanto não chega esse fecho do grupo, a 16 de Maio, na recepção ao Hwaepul, o Benfica cai na realidade do futebol local, onde tem feito quase um passeio, somando por vitórias (10) os jogos realizados, numa altura em que o campeonato já entrou na segunda volta.

O actual líder, com sete pontos de vantagem sobre o Chao Pak Kei, tem o jogo ideal, face ao lanterna vermelha Lai Chi, atendendo  a que vem de um jogo internacional, que provoca sempre desgaste nos jogadores.

“Vou aproveitar para rodar mais alguns jogadores dentro do possível”, diz o treinador Bernardo Tavares, que tem ao seu dispor jogadores como Tito Okello, Alison Brito, Iuri Capelo, Lei Kam Hong, que não estiveram envolvidos nesta saída a Taiwan.

Nos restantes encontros da décima primeira jornada da Liga de Elite, destaque para o confronto entre o Ching Fung e o Ka I, duas equipas que lutam pelo segundo/terceiro lugar e que na ronda passada perderam, respectivamente diante de Sporting e Benfica. O jogo promete ser equilibrado, com o conjunto de Josecler a apresentar-se no quinto posto, a dois pontos do Sporting e a três pontos do Ching Fung.

Já o vice-líder, Chao Pak Kei tem um jogo teoricamente fácil, diante do Hang Sai, na véspera de defrontar o Benfica.

 

* Jornalista

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